Hanseníase (Mal-de-Hansen)

Hanseníase (Mal-de-Hansen)

 Que é mal-de-hansen?

 

Lepra significa “doença que descasca ou descama”. Trata-se de doença infecciosa, cuja forma de contágio ainda se discute, causada provavelmente pelo Mycobacterium leprae. Afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Hansen foi o médico norueguês que descobriu seu agente causador, uma bactéria muito parecida com a da tuberculose. Trata-se de doença crônica de desenvolvimento lento. Em muitos casos, há cura espontânea. Mas há formas graves, hoje felizmente raras, que evoluem para a mutilação e a morte.

 

Como se distribui pelo mundo?

 

Trata-se de doença milenar, citada várias vezes na Bíblia. Originou-se provavelmente no Egito e na Índia, donde se propagou por todo o mundo. Medidas sanitárias rigorosas adotadas em países mais evoluídos mantêm a doença sob controle. Em muitas regiões, porém, trata-se de mal endêmico. No Brasil, é mais comum na Amazônia. No centro e no oeste africanos, no norte da Austrália e no sudeste asiático, há bolsões endêmicos de lepra.

 

Como se manifesta?

 

Há diferentes possibilidades de manifestações e alterações patológicas. Em linhas gerais, o mal-de-hansen produz lesões de aspecto variado na pele. Afeta também as mucosas e os nervos periféricos. Em estágios avançados, pode comprometer órgãos como fígado, ba­ço,­ testículos e rins.

A lepra manifesta-se através de manchas esbranquiçadas ou averme­lhadas, que surgem em qualquer parte do corpo, isolada ou combinadamente, na forma de nódulos, bolhas, tubérculos e/ou pápulas.

É, às vezes, difícil distinguir as lesões da lepra de outras manifestações cutâneas, como tuberculose, sífilis, leucemia cutânea e micose. Mas uma característica peculiar da lepra é a perda superficial de sensibilidade no local das lesões. O paciente não sente, na superfície das lesões, por exemplo, a dor produzida por picada ou pelo calor.

Há quatro classificações básicas para a doença: 1. forma lepromatosa (a mais grave); 2. forma tuberculóide (a mais benigna); 3. indeterminada, e 4. dimorfa, estas últimas de gravidade média.

A indeterminada é a forma inicial, que pode evoluir para a tuberculóide ou a lepromatosa. A dimorfa apresenta características de ambas as formas.

A forma indeterminada costuma manifestar-se por algumas manchas claras que podem crescer e transformar-se em crostas. Nas lesões, há poucos bacilos, ou nenhum. Na maioria dos casos, a lepra não é contagiosa nessa fase. A forma tuberculóide exibe alterações semelhantes às da tuberculose cutânea. Há manchas, crostas, nódulos e pápulas. Há boa possibilidade de regressão e cura. Mas há casos de cronificação, com reações agudas esporádicas. Os nervos periféricos são afetados, sofrendo atrofia, o que ocasiona perda de sensibilidade e movimentos. Outros sintomas são de queda de pêlos, secura de pele, arroxeamento das extremidades, e mutilações, que dão a essa doença a conotação historicamente dramática. Graças aos modernos recursos da Medicina, pode-se evitar a maior parte das complicações.

A forma lepromatosa, a mais grave, que ataca pessoas de pouca resistência, apresenta lesões típicas, os lepro­mas, que são granulomas com alta concen­tração de bactérias. Trata-se, portanto, de forma contagiosa. Os granulomas se desenvolvem lentamente, ao longo de anos, e se espalham por todo o corpo, atingindo olhos (com cegueira resultante), face, nariz, boca, laringe, gânglios linfáticos e algumas vísceras, principalmente fígado. Há casos em que afeta os testículos, produzindo esterilidade.

Através do exame do muco nasal, do material das lesões, dos estudos dermatoló­gicos e neurológicos, entre outras verificações de caráter clínico, pode-se estabelecer a existência e a forma da doença.­

 

Como se pega?

 

Através do contato direto com o portador, principalmente. Os germes podem ser veiculados por gotículas de saliva, provenientes de espirro, tosse, ou da simples conversação. O contato com as lesões é outra forma de contágio. Os estudiosos acreditam que a forma mais comum de penetração é através da mucosa nasal. A maioria dos casos de contágio ocorre no convívio domiciliar. Cerca de 30% dos cônjuges de doentes de mal-de-hansen contraem essa enfermidade.

Hoje, talvez em virtude de milênios de convívio com o agente causador, o organismo humano parece haver desenvolvido certa resistência, e o contágio é provavelmente mais raro que nos tempos do Velho Testamento.

 

Que determina a gravidade da doença?

 

Em qualquer doença, a gravidade depende principalmente das condições do organismo de cada indivíduo. Há pacientes cujo sistema de defesa reage eficazmente contra os agentes da lepra, determinando curso benigno e até cura espontânea. No outro extremo, a debilidade das defesas do doente ensejam evolução grave.

Há um teste, chamado reação de Mitsuda, que avalia o grau de resistência contra a lepra. Estudos entre brasileiros revelam que 70 a 80% da população dispõem de proteção natural contra essa enfermidade.

 

Estilo de vida natural*

 

Os tratamentos naturais visam a aumentar a resistência do organismo, não dispensando o acompanhamento médico regular. Em síntese:

1. Deve-se adotar dieta naturista saudável (ler capítulos 4 e 5). Conforme­ o paciente, poderá ser necessária uma desintoxicação. Recomenda-se, con­for-me o caso, subs­tituir uma refeição ao dia por uma só qualidade de fruta, como uva, melancia, maçã, ameixa etc.

2. O adequado suprimento das necessidades vitamínico-minerais é fundamental para a restauração do equilíbrio metabólico do corpo e o aumento da capacidade imunitária. Recomenda-se, por isso, o uso diário de suco de cenoura com beterraba e salsão, antes do almoço (um copo duplo). É também útil o emprego de complexo B, ou levedura de cerveja (seis comprimidos de 500mg diários ou mais, a critério médico), clorela, pycnogenol e esqualeno (nas bulas, há orientações sobre uso tradicional).

3. Certas plantas medicinais depurativas podem ser vantajosamente utilizadas, a critério de um profissional, como chapéu-de-couro, cavalinha, salsaparrilha, casca-de-anta, mil-em-rama, bardana, carqueja, dente-de-leão. Podem-se misturar duas ou três plantas, de duas a três xícaras ao dia por uma semana. Descansar uma semana e, na seguinte, usar outra dupla, e assim sucessivamente. A dose tradicional é uma colher, das de sopa, da planta para 300ml de água. Ferver e filtrar.

4. Tomar banhos com o chá concentrado da carqueja.

5. A própolis é útil no aumento da capacidade imunitária. Usar diaria­­­­mente de vinte a trinta gotas de solução a 30%, diluídas em água ou chá.

6. O extrato de pfaffia poderá ser usado sobre as lesões cutâneas para favorecer sua remissão, salvo contra-indicação médica.

7. Centella asiatica — À disposição em lojas de produtos naturais. Na bula, há orientação sobre o uso tradicional. Também chamada gotu kola.

8. A postura mental do doente determina seu padrão de resistência imunitária. É de vital importância esforçar-se por desfazer, na mente do doente, o estigma de maldição que secunda a lepra. Esse nome, aliás, por sua conotação historicamente dramática, deve ser evitado. Prefira-se hanseníase. Todo apoio moral e espiritual se deve devotar ao paciente.

 

* Vulgarmente, lepra.

 

Nos tempos bíblicos, a “lepra” era o estigma da maldição. O doente era isolado e temido como portador da própria morte. As leis higiênicas relativas à lepra eram extremamente severas e imparciais. Mesmo um rei que contraísse a doença teria de renunciar ao trono e confinar-se num leprosário. Hoje, porém, o tratamento médico oferece esperança.

 

Tratamento*

* Lembrete: Estas indicações são tradicionais, e não suprimem o tratamento médico.

 

O isolamento é hoje recomendado apenas nas formas leprótica e dimorfa, ou quando há mutilação que impeça o convívio social. O tratamento em casa requer cuidados, para prevenir contágio.

Durante muitos séculos, utilizou-se contra a lepra o óleo de uma planta, a chalmugra, que traz algum alívio, não sendo, porém, capaz de curar. Depois da II Guerra Mundial, o surgimento das sulfonas (diferentes de sulfas) trouxe nova esperança aos doentes de lepra. Medicamentos como a talidomida têm efeitos teratogênicos, isto é, se usados por gestantes, fazem nascer crianças com sérias anomalias. Testam-se medicamentos como a cicloserina e a hidrazida do ácido isonicotínico.

Nos surtos históricos de lepra na Europa, em séculos passados, a Centella asiatica, ou gotu kola, foi considerada um dos melhores recursos. Há registros de cura de nobres com o uso do extrato concentrado de Centella. Hoje, ela é facilmente encontrada em lojas de produtos naturais. Não se deve, porém, negligenciar o tratamento convencional.

 

Você sabia?

Clorela – alga indicada nas seguintes situações:

Estresse e cansaço crônico – A clorela, alga unicelular, é um “superalimento”. Não é fácil resumir suas propriedades. Entre inúmeras outras ações, combate o estresse e a fadiga crônica, normaliza a digestão, ajuda no tratamento de infecções em geral e fortalece o sistema imunitário.

Pele, para a beleza da – Suas propriedades nutritivas, depurativas e reconstituintes tornam a clorela um dos melhores recursos naturais contra cravos, espinhas, celulite e rugas precoces. A dose geralmente indicada é de 3.000 a 6.000mg por dia.

Importante: Ao ingerir clorela, tomar também bastante água.

 

 


Programa Saúde Total

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