Menorragia e Metrorragia

Menorragia e Metrorragia

 A menorragia é a menstruação abundante, com muita perda de sangue (geralmente vem escuro e na forma de coágulos). O aborto espontâneo pode produzir sintomas idênticos ao da menstruação prolongada, acompanhada de dor (ver aborto). O uso de DIU (dispositivo intra-uterino) produz menstruações muito intensas, devido à irrita­ção mecânica que esse dispositivo produz. A menstruação excessiva produz depauperação nutricional. Antigamente, denominava-se clorose a palidez intensa em mulheres jovens, pro­duzida por desnutrição que resulta da menstruação excessiva. É preciso consultar um ginecologista para descobrir a causa do problema, que pode ir de desequilíbrios hormonais (excesso de estrogênio ou falta de progesterona, provocando a formação de um revestimento mais denso que o normal nas paredes do útero que, ao ser expulso, ocasiona muita perda de substância e sangue) a formações tumorais.

A metrorragia é a hemorragia do útero, que se verifica entre os períodos menstruais (fora da menstruação). Muitas vezes indica deficiência de proges­terona, um hormônio feminino. O uso da pílula anticoncepcional pode, no começo, provocar essa reação. Em todos os casos, a hemorragia do útero merece avaliação médica. Pode ser provocada por mioma. Quando a hemorragia é freqüente, provocando anemia, indica-se a extirpação cirúrgica do útero (histe­rectomia), o que, entretanto, só deve ser adotado como último recurso (ver útero).

Para indicar-se um tratamento, é preciso averiguar a causa.

A orientação natural segue as linhas gerais de fibromioma.

 

Vitaminas e minerais*

 

A dieta moderna, cheia de “entulhos”, cria um “congestionamento orgânico” que dificulta o acesso de nutrientes a setores de atividade crítica, como glândulas (entre as glândulas, os ovários). O resultado óbvio é ampla desestabilização de funções, e instabilidades hormonais. O delicadíssimo feed-back de reações neuro-hormonais, químicas e biológicas do sistema reprodutor sai dos eixos. Por isso, além da mudança na dieta, é preciso suplementar a alimentação com vitaminas e minerais. Destacam-se a vitamina B6 (piridoxina), o cálcio, o potássio e o magnésio. Havendo anemia, também o ferro, o cobre e o ácido fólico. Sugere-se o uso de doze a dezoito comprimidos diários de 500mg de lêvedo de cerveja, a que se acrescentam suplementações de 400 a 800mg de cálcio, 300mg de mag­nésio, 25mg de ferro (se houver anemia), de 10 a 300mcg de vitamina B12, 400mcg de ácido fólico e de 30 a 60mg de vitamina B6 diários. No primeiro mês de tratamento, sugere-se o uso ininterrupto dessas suple­mentações. Esses procedimentos, é claro, devem ser submetidos ao crivo médico, para individualização da dosagem.

Pesquisas do Dr. Fredericks, da Universidade Fairligh Dickinson (New Jersey), com duzentas mulheres, mostraram que o consumo regular de levedura de cerveja, ligado ao adequado suprimento das necessidades férricas e protéicas, diminui consideravelmente a incidência de distúrbios do sistema reprodutor e problemas menstruais. Diminui também a ocorrência de cistos nos seios.

Em clínicas naturistas, a desin­toxicação, acompanhada de correta suple­mentação nutricional, tem trazido bons resultados na remissão de distúrbios femininos.

Em seguida, citamos as diretrizes do tratamento natural para a maioria dos problemas dos órgãos reprodutores femininos.

 

Alimentação

O estilo de vida da mulher moderna representa importante agressão à sua estrutura naturalmente mais frágil. Para começar, sua alimentação é de péssima qualidade. Com a participação cada vez mais ativa no mercado de trabalho, os hábitos dietéticos femininos não diferem muito dos do homem, caracterizados por irregularidade, pressa, “lanches ligeiros” etc.

O hábito de fumar e a vida sedentária são hoje, lamentavelmente, uma constante entre mulheres. Outrossim, distúrbios emocionais, que vão da ansiedade à depressão, incidem com freqüência preocupante entre elas. A “fuga” habitual das instabilidades emocionais é o consumo desregrado de doces, chocolates, massas etc., ou o uso de ansiolíticos e antidepressivos. Obesidade e profundos desequilíbrios orgânicos e psíquicos são o elevado tributo pago pelas mulheres a esse modus vivendi. As defesas do organismo se enfraquecem, e as doenças do aparelho reprodutor atacam sem piedade.

Existe íntima relação entre a dieta e os distúrbios femininos. Os estudiosos da Medicina natural enfatizam essa relação. Falam na homestasia química e hormonal, diretamente afetada pela dieta, responsável pela estabilidade funcional dos órgãos reprodutores.

Para começar, o consumo exagerado de alimentos não-nutritivos (que chamamos pseudo-alimentos, ou falsos alimentos), doces, gordurosos e salgados, desestabiliza a nutrição e diminui a energia vital. Tais alimentos fazem com que você se sinta indisposta, empanturrada, inchada. É consenso entre os naturopatas que a simples mudança na dieta promoverá bem-estar geral, prevenindo cólicas e afecções do sistema reprodutor, como a DIP.

O uso de embutidos, carnes, aves e ovos de granja envolve risco muito badalado: a contaminação por hormônios sintéticos, como o dietil-estil-bestrol, usado indiscriminadamente na engorda dos animais. Esse hormônio traz conseqüências funestas para a saúde, pois age sobre o delicado equilíbrio hormonal.

Consuma mais frutas e vegetais frescos, bem higienizados. Ao se aproximar a menstruação, faça refeições exclusivas de melão (não misturá-lo com nada).

A cafeína, presente no café, no guaraná, no chocolate e em certos refrigerantes, contribui para aumentar o desconforto no período menstrual, pois deixa a mulher mais nervosa. Contra-indicam-se também o álcool, as conservas salgadas e as frituras.

* Os suplementos nutricionais são úteis em muitos casos, mas a indicação e a dosagem individual devem ser estabelecidas por um profissional especializado.

 

Alimentação*1

Compressa de gelo e outras sugestões

Para conter uma hemorragia súbita, indicam-se compressas de gelo no baixo-ventre por quinze minutos. Ou aplicar compressas frias. Procurar um médico.

Tomar diariamente um banho frio de tronco (dez minutos). Ver capítulo 12.

Chá de bolsa-de-pastor — Derramar meio litro de água fervente sobre duas colheres, das de sopa, da planta picada e tomar 2 a 3 xícaras ao dia.

Chá de cordão-de-frade — Ferver duas colheres, das de sopa, das folhas e dos talos em meio litro de água. Tomar de duas a três xícaras por dia contra hemorragias uterinas.

O uso interno de chá de casca-de-anta (de duas a três xícaras ao dia do decocto ou da fervura da casca; uma colher, das de sopa, para 300ml de água), por uma ou duas semanas, seguido do chá de mil-em-rama (três xícaras ao dia, por duas semanas; derramar meio litro de água fervente sobre uma colher, das de sopa, da planta), ajuda a normalizar a situação.

Tradicionalmente indicado é também o chá do algodoeiro: colocar duas colheres, das de chá, da casca da raiz em três xícaras de água, e deixar ferver por cinco minutos. Filtrar e tomar essa quantidade, dividida em cinco ou seis porções, ao longo do dia.

 

*1 As dietas terapêuticas naturais são empregadas em clínicas naturistas e por medicinas tradicionais. Adote alimentação saudável, mas não mude radicalmente sua alimentação sem orientação profissional.

*2 Os suplementos nutricionais são úteis em muitos casos, mas a indicação e a dosagem individual devem ser estabelecidas por um profissional especializado.

 

Começar com desintoxicação branda.

Sete dias com a seguinte dieta:

Desjejum: Num dia só melão, outro dia laranjas (comer a parte branca da casca, rica em bioflavonóides, que previnem hemorragias menstruais); no dia seguinte, só bebida alcalinizante (ver modo de preparar à página 138). Ir alternando dessa forma.

Lanche: Fruta ou água-de-coco, se houver fome.

Almoço: Salada de brotos com folhosos. Se quiser, tomatinhos (daqueles pequenos, menos sujeitos ao tratamento com agrotóxicos). Vegetais cozidos (especialmente brócolis). Arroz integral, um pouco de lentilha, tofu. A partir do terceiro dia de dieta, acrescentar seis amêndoas doces.

Lanche: Fruta ou água de coco, se houver fome.

Jantar: Frutas picadas, como maçã, mamão, pêra, pêssego, ameixa, juntamente com nozes, amêndoas e sementes de girassol.

Depois desse período, ir alternando um dia de dieta normal naturista (ver página 53), e outro dia de dieta de desintoxicação, a mesma já apresentada. Nos dias de dieta normal naturista, acrescentar três ovos de codorna cozidos e de doze a dezoito comprimidos diários de 500mg de levedura de cerveja. Nos dias de dieta de desintoxicação, usar suplemento de cálcio (de 400 a 800mg), magnésio (300mg) e vitamina B6 (de 30 a 60mg). *2Se há anemia, acrescentar ferro (25mg), vitamina B12 (de 10 a 100mcg) e ácido fólico (400mcg) na suplementação, que deve observar indicação médica. O uso de dolomita (que contém sais de cálcio e magnésio) pode substituir o uso de suplementos desses minerais.


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.