Retocolite Ulcerativa

Retocolite Ulcerativa

Que é retocolite ulcerativa? Como se manifesta?

 

Acomete principalmente o reto e o cólon sigmóide. Há múltiplas possibilidades de manifestações: leve, moderada e severa. Na forma severa, pode haver hemorragia importante, diarréia contínua de dez ou mais dejeções ao dia, de fezes líquidas, contendo muco, pus, sangue e alimentos mal digeridos. Ocorre freqüentemente falsa sensação de evacuar (tenesmo), cólicas abdominais acompanhadas de ruídos e meteo­rismo (grande formação de gases). As fezes ácidas provocam dor, queimação e­ prurido na região próxima ao ânus, que às vezes fica em carne viva. Há ema­grecimento, por vezes febre, desnutrição profunda, anemia, sonolência, angústia, depressão.

O paciente, tipicamente de meia-idade e de bom nível sócio-econômico, costuma exibir personalidade obsessiva e ansiosa.

O exame da parede intestinal mostra intensa irritação, avermelhamento e úlceras, que aparecem primeiramente no reto e se alastram para cima (por isso se diz retocolite).

 

Causas

 

Se existe doença cuja descrição e definição de causas representa, para a Medicina, um emaranhado, essa doença é a colite. Há inúmeras interpretações e especulações. Sabe-se, porém, que:­

1. O sistema nervoso comanda também o funcionamento das vísceras. Desequilíbrio na regência do sistema nervoso autônomo produz padrão anormal de funcionamento do intestino. Para tanto, é decisiva a influência do estado emocional. Por si só, ou somado a outros fatores, desencadeia a entero­colite.

2. Distúrbios digestivos, como acloridria (falta de suco gástrico), que permite a passagem de alimentos mal digeridos ao intestino e propicia fermentações, são causa de colite.

3. Má alimentação. Excesso de gordura, açúcar, carnes, maionese, lanches ligeiros, guloseimas, frituras e laticínios pode desencadear colite em pessoas suscetíveis. A dieta do paciente de colite precisa ser controlada. Pesquisas sobre alergia alimentar mostram que a caseína, proteína do leite, pode provocar retocolite ulcerativa devido a suas propriedades alergênicas. Retirando-se os laticínios da dieta dos pacientes, houve notável melhora.

4. Ingestão de alimentos deteriorados ou contaminados. Bactérias do grupo das salmonelas, por exemplo, produzem toxi-infecções alimentares, com grande irritação intestinal e sintomas diarréicos fortes.

5. Medicamentos e substâncias inorgânicas. Salicilatos (aspirina e outros analgésicos), xaropes que contenham creosoto; arsênico, mercúrio e chumbo são exemplos de substâncias que podem ocasionar reação inflamatória no intestino.

6. A enterocolite pode aparecer como processo secundário a outras doenças que debilitam as defesas do corpo, como câncer, tuberculose, aids, alcoolismo, verminoses e septicemias.

7. Proliferação de certas bactérias, como a Escherichia coli, no intestino.

 

Opinião dos estudiosos da vida natural

 

De acordo com a visão médico-naturista, a colite, como muitas outras enfermidades de causa obscura, é resultado do estilo de vida moderno, intensamente agressivo à nossa estrutura psicossomática. Em primeiro lugar, nossa dieta de péssima qualidade cria ambiente intestinal adequado ao desenvolvimento de bactérias que, ao agirem sobre os resíduos alimentares, convertem-nos em substâncias irritantes. A causa alimentar age junto com fatores psíquicos. Existindo propensão, a colite se instala facilmente.

 

Tratamentos

 

A Medicina oficial trata principalmente os sintomas. Usam-se medicamentos sedativos, adstringentes, ansio­líticos, antibióticos e “dieta leve”.

Já na área da Medicina ecológica, o tratamento da colite assume caráter mais abrangente. O principal objetivo é fortalecer o sistema imunitário através da adoção de hábitos sadios e proscrição de maus hábitos. A dieta pre­cisa ser cuidadosamente monitorada, pois deve promover o ressurgimento de microbiota intestinal equilibrada. Prescrevem-se plantas, banhos e exercícios físicos moderados, como auxiliares no tratamento de disfunções orgânicas e emocionais.

 

Métodos naturais para fortalecer e reequilibrar o sistema nervoso*

 

Considerando a influência decisiva do sistema nervoso sobre o funcionamento do intestino, é fundamental abordá-lo. Algumas sugestões:

1. Fora da fase aguda, caminhar, respirando profundamente, todos os dias. A natação é também exercício muito indicado.

2. Tomar suplementos de magnésio, mas não em teor exagerado. Não mais que 300mg/dia. O magnésio ajuda a relaxar os músculos, prevenindo espasmos.

3. Suplementos vita­mínicos balanceados são indicados. Sugerimos a geléia real, de 2 a 3g/dia.

4. Usar água de melissa: vinte gotas em meio copo de água de duas a quatro ve­­zes ao dia.

 

Banhos e compressas

 

Um banho de imersão em água morna, por quinze minutos, é excelente para relaxar e aliviar as dores. Compressas diárias de argila fria no abdome, fora da fase aguda, são um dos melhores recursos para desinflamar o cólon. Na fase aguda, pode-se fazer a mesma compressa, ligeiramente aque­cida.

Fora da fase aguda, deve-se fazer um banho vital ao dia. Ver capítulo 12.

Como deve ser a alimentação preventiva

* Os suplementos nutricionais são úteis em muitos casos, mas a indicação e a dosagem individual devem ser estabelecidas por um profissional especializado.

 

Para prevenir ataques agudos, recomenda-se dieta saudável. Evitar doces, frituras, ovos, carnes gordurosas, laticínios, especialmente queijos, café, molhos, alimentos gordurosos, lanches ligeiros, refrigerantes etc. Quando surgem manifestações, devem-se também evitar frutas muito ácidas, como abacaxi e limão, e folhas cruas.

Uma das regras mais vitais na prevenção dietética da colite é mastigar completamente cada bocado, e comer sem pressa.

 

Tratamento pela dieta

Sugestões tradicionais*

* Lembrete: estas indicações são tradicionais, e não suprimem o tratamento médico.

 

Aipo — Decocto (água do cozimento) de aipo, várias vezes ao dia. Duas colheres, das de sopa, do aipo picado em meio litro de água. Ferver e filtrar.­­

Aperta-ruão — Chá de aperta-ruão com camomila contra as diarréias. De duas a três xícaras ao dia. Derramar meio litro de água fervente sobre uma colher e meia, das de sopa, das ervas picadas.

Babosa — Há no mercado de produtos naturais suco de babosa para uso interno, indicado para cicatrizar a mucosa digestiva e restaurar a flora. No rótulo, há instruções sobre o uso tradicional.

Banana-prata — Substituir algumas refeições por banana-prata madura. Nunca misturar com outro alimento. Pode-se cozê-la.

Carvão — Um dos melhores recursos naturais para corrigir o funcionamento intestinal, combatendo azia, gases, diarréia, fermentações. Tomar, ao deitar e vinte minutos depois do almoço, um pouquinho de água com uma a duas colheres, das de chá, de carvão vegetal. É normal que as fezes assumam coloração escura.

Cenoura — O Dr. Thenebe tratou 600 pacientes de colite aguda (com diarréia) com sopa de cenoura. Como preparar: Meio quilo de cenoura em 250ml de água. Cozinhar bem. Bater no liquidificador e acrescentar água fervida até completar um litro. Acrescentar meia colher, das de sopa, de sal. De meia em meia hora, tomar uns goles desse líquido, ensalivando bem. Geralmente, o doente melhora em questão de um dia.

Coalhada — Tomar, em jejum, em lugar da primeira refeição, de vez em quando, um copo de coalhada, para normalização da flora intestinal.

Fruta-do-conde — Chá das folhas da fruta-do-conde, de duas a três xícaras ao dia. Uma colher, das de sopa, de folhas para 300ml de água. Ferver e filtrar.

Tanchagem — Misturar tanchagem, espinheira-santa e cavalinha, e tomar o chá, para desinflamar a mucosa. De duas a três xícaras ao dia. Duas colheres, das de sopa, para meio litro de água. Ferver e filtrar.

 


Programa Saúde Total

Levando informações aos ouvintes sobre saúde e qualidade de vida, valorizando os benefícios da natureza: ar puro, atividade física, água, luz solar, alimentação, repouso, abstinência e muito mais.